
Multiplicação: entendendo como e por que multiplicamos
Introdução
Imagine que você precise organizar 5 caixas e coloque 4 lápis dentro de cada uma.
Para descobrir quantos lápis há ao todo, poderíamos contar:
4+4+4+4+4 = 20
Mas existe uma maneira mais prática de representar essa situação:
4 (representa o valor que está repetido) x 5 (representa quantas vezes ele aparece na repetição) = 20
Essa é a multiplicação.
Mas, para aprender multiplicação de verdade, não basta decorar que (5 · 4 = 20). É preciso entender o que os números representam, por que podemos multiplicá-los e como essa operação pode nos ajudar a resolver diferentes situações.
A multiplicação aparece justamente quando precisamos lidar com quantidades que se repetem ou que podem ser organizadas de maneira regular.
Neste artigo, vamos construir essa ideia passo a passo.
Quando uma quantidade se repete
Vamos começar com uma situação simples.
Uma professora tem 3 caixas. Em cada caixa há 6 lápis.
Podemos descobrir a quantidade total contando uma caixa de cada vez:
6 + 6 + 6 = 18
Perceba que o número 6 aparece três vezes.
Em vez de escrever toda essa soma, podemos representar a mesma situação por meio de uma multiplicação:
3 · 6 = 18
Podemos ler:
3 grupos de 6
Isso nos ajuda a entender o significado dos números:
3 → quantidade de grupos;
6 → quantidade de elementos em cada grupo;
18 → quantidade total.
Portanto, quando encontramos uma situação em que uma mesma quantidade aparece várias vezes, a multiplicação pode ser uma maneira mais rápida de representar essa situação.
Outro exemplo
Uma papelaria recebeu 4 pacotes com 8 canetas em cada pacote.
Podemos pensar:
8 + 8 + 8 + 8 = 32
ou:
4 · 8 = 32
A papelaria recebeu 32 canetas.
Observe que não começamos pela conta. Primeiro entendemos a situação e identificamos que existem 4 grupos iguais de 8.
Multiplicação não é apenas uma soma escrita de forma diferente
A ideia de soma repetida é uma maneira importante de começar a entender a multiplicação. Porém, a multiplicação também pode representar outras formas de organizar quantidades.
Veja, por exemplo, estes objetos:
● ● ● ●
● ● ● ●
● ● ● ●
Podemos contar os objetos linha por linha:
4 + 4 + 4 = 12
Então:
3 · 4 = 12
Mas existe outra maneira de observar exatamente os mesmos objetos.
Podemos olhar para as colunas:
4 colunas;
3 objetos em cada coluna.
Assim:
4 · 3 = 12
Perceba que a quantidade não mudou.
Apenas mudamos a maneira de organizar e observar os objetos.
É justamente essa ideia que nos leva a uma propriedade importante da multiplicação.
A propriedade comutativa
Observe:
3 · 4 = 12
e:
4 · 3 = 12
Os resultados são iguais.
Isso acontece porque podemos trocar a ordem dos fatores sem alterar o resultado:
3 · 4 = 4 · 3
Essa é a propriedade comutativa da multiplicação.
Mas, em vez de apenas decorar essa propriedade, podemos entendê-la visualmente.
Imagine 3 fileiras com 4 cadeiras:
🪑 🪑 🪑 🪑
🪑 🪑 🪑 🪑
🪑 🪑 🪑 🪑
Temos 12 cadeiras.
Podemos dizer:
3 · 4 = 12
Agora, se olharmos para a mesma organização pelas colunas, temos 4 colunas com 3 cadeiras:
4 · 3 = 12
A quantidade continua sendo 12.
Portanto:
3 · 4 = 4 · 3
A propriedade faz sentido porque trocar a posição das linhas e das colunas não muda a quantidade de elementos.
Como saber se devemos multiplicar?
Essa é uma das partes mais importantes.
Encontrar números em um problema não significa automaticamente que devemos multiplicá-los.
Compare as duas situações.
Situação 1
Lucas tem 5 carrinhos e ganhou mais 3.
Agora ele tem:
5 + 3 = 8
Aqui estamos juntando duas quantidades.
Situação 2
Lucas tem 5 caixas com 3 carrinhos em cada uma.
Agora temos:
3 + 3 + 3 + 3 + 3
ou:
5 · 3 = 15
Aqui existe uma quantidade que se repete em grupos iguais.
A diferença entre as situações não está apenas nos números. Está no que está acontecendo.
Por isso, antes de escolher uma operação, devemos perguntar:
O que o problema está contando?
Se estamos juntando duas quantidades diferentes, podemos estar diante de uma adição.
Se temos vários grupos com a mesma quantidade, a multiplicação pode ser adequada.
Multiplicação e adição estão relacionadas
A multiplicação e a adição não são operações completamente isoladas.
Quando temos:
4 · 5 = 20
podemos interpretar como 4 grupos de 5:
5 + 5 + 5 + 5
Então:
4 · 5 = 20
Essa relação ajuda a compreender de onde vem a multiplicação.
Mas existe outra relação importante: podemos usar a adição para facilitar uma multiplicação.
Imagine:
7 · 6 = 42
Talvez alguém não lembre imediatamente o resultado.
Podemos separar o 7 em duas partes:
7 = 5 + 2
Então:
7 = (5 + 2)
Agora calculamos separadamente:
5 · 6 = 30
e:
2 · 6 = 12
Depois juntamos os resultados:
30 + 12 = 42
Logo:
7 · 6 = 42
Essa estratégia é chamada de propriedade distributiva.
Mais uma vez, não precisamos começar decorando o nome da propriedade.
Primeiro podemos entender a ideia:
Se 7 grupos de 6 podem ser separados em 5 grupos de 6 e 2 grupos de 6, o total continua sendo o mesmo.
6. Podemos multiplicar por 1 e por 0
Algumas multiplicações ficam mais fáceis quando entendemos o que acontece com os grupos.
Multiplicar por 1
Imagine 6 caixas com apenas 1 objeto em cada uma.
Teremos:
6 = 6
Multiplicar por 1 não muda a quantidade.
Por isso:
a · 1 = a
Multiplicar por 0
Agora imagine 6 caixas, mas sem nenhum objeto dentro delas.
Temos:
6 · 0 = 0
Mesmo existindo 6 grupos, cada grupo possui zero elementos.
Por isso, o total é zero.
a · 0 = 0
Essas propriedades ficam muito mais fáceis de lembrar quando entendemos o que elas representam.
7. Diferentes estratégias para uma mesma multiplicação
Considere:
8 · 12 = 96
Existem várias maneiras de chegar ao resultado.
Podemos pensar em 8 grupos de 12:
12 + 12 + 12 + 12 + 12 + 12 + 12 + 12
Também podemos usar a multiplicação diretamente:
8 · 12 = 96
Ou podemos decompor o 12:
12 = 10 + 2
Então:
8 · 12 = 8 · 10 + 8 · 2
80 + 16 = 96
Portanto:
8 · 12 = 96
O mais importante não é encontrar uma única maneira “correta” de pensar.
É compreender por que a estratégia funciona e escolher uma forma adequada para cada situação.